Editoras francesas criam associação para cobrar empresas de IA

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Por Tiago Nogueira - Repórter
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Imagem: Renata Cabral/Ler Livros

Dez editoras independentes francesas criaram a ADEPIA para buscar reparação de empresas de inteligência artificial suspeitas de usar livros de seus catálogos sem autorização no treinamento de modelos. A iniciativa foi noticiada pelo site francês ActuaLitté em 3 de novembro de 2026 e repercutida pelo PublishNews no dia 4.

A associação, ainda em constituição, é presidida por Yannick Dehée, fundador da Nouveau Monde éditions. A sigla corresponde a Association des éditeurs contre le pillage des IA, traduzida como Associação de Editores contra a Pilhagem das IAs. A iniciativa trata de suspeitas de uso não autorizado, sem estabelecer que houve violação comprovada.

Além da Nouveau Monde éditions, os membros citados são La Volte, Aux forges de Vulcain, Maurice Nadeau, Artège, Desclée de Brouwer, Le Rocher, Champ Vallon, Rue de l’échiquier e Emmanuelle Collas.

Segundo Dehée, o plano é enviar notificações formais nas próximas semanas e abrir um período de negociação amigável. Se não houver solução por essa via, as editoras poderão recorrer à Justiça. A abordagem inicial deverá envolver duas ou três empresas de inteligência artificial, cujos nomes não foram divulgados.

A ADEPIA não organizará uma ação coletiva. Cada editora atuará por conta própria, com uma mesma advogada. À associação caberão a troca de informações, a coordenação entre os participantes, a busca de acordos e o financiamento de processos.

Os membros se comprometem a destinar 20% das indenizações que obtiverem a um fundo para litígios futuros. O mecanismo prevê que parte dos recursos recebidos seja usada para financiar novas disputas, enquanto as demandas permanecem individuais.

“Somos muito sérios quando dizemos que não vamos largar o caso”, afirmou Dehée, em tradução da declaração.

O fundador da Nouveau Monde éditions já havia interpelado a Mistral AI em fevereiro. A empresa, porém, não é apontada como alvo prioritário da associação. O contato anterior não identifica quais serão as primeiras companhias notificadas pela ADEPIA.

Dehée também afirma que a nova entidade não duplica o trabalho do Syndicat national de l’édition (SNE), organização com a qual diz cooperar. A associação reúne as dez editoras em torno das negociações e das possíveis medidas judiciais.

Disputas sobre livros no treinamento de IA

Em 12 de março de 2025, o SNE, a Société des gens de lettres (SGDL) e o sindicato de autores e compositores SNAC processaram a Meta no Tribunal Judiciário de Paris por uso de obras protegidas no treinamento de inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, segundo o PublishNews, a Anthropic fez um acordo de US$ 1,5 bilhão em um processo sobre livros obtidos de bibliotecas piratas. O acordo abrange cerca de 482 mil títulos, com valor aproximado de US$ 3 mil por título antes de taxas.

Na Europa, o treinamento de inteligência artificial pode se enquadrar na exceção de mineração de textos e dados. O alcance dessa exceção e suas brechas são discutidos na Justiça.


Referências

  • ActuaLitté. Reportagem sobre a criação da ADEPIA (3/11/2026). Disponível em: actualitte.com
  • PublishNews. Editoras independentes francesas criam associação para buscar direitos contra empresas de IA (4/11/2026). Disponível em: publishnews.com.br
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Repórter do Ler Livros. Formado em Biblioteconomia, cobre bibliotecas, educação, políticas de leitura e domínio público. É quem testa, um por um, os portais e aplicativos que o portal indica.