O escritor francês Yannick Haenel venceu nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, o Prêmio Femina com o romance La solitude des professeurs est infinie, publicado pela Gallimard. Segundo a Livres Hebdo, a escolha ocorreu no segundo turno da votação. O Femina está entre os grandes prêmios literários do outono francês.
O anúncio foi feito no 30 Montaigne, em Paris, nova sede da premiação. De acordo com a Livres Hebdo, o resultado era anteriormente proclamado no museu Carnavalet. O júri responsável pela escolha do Femina é formado apenas por mulheres.
Haenel recebeu seis votos, contra dois para Emma Marsantes, autora de N’efface pas mes cercles, da editora Verdier. Lucie Rico também obteve dois votos com Mais que fait ce sang sur le pull de Jennifer ?, publicado pela P.O.L.
Segundo a franceinfo, o romance vencedor acompanha Jean Deichel, duplo literário de Haenel. O personagem é um jovem professor de periferia que está à beira de um colapso nervoso. A dificuldade de ser professor é o tema abordado pelo livro.
Antes da decisão do Femina, La solitude des professeurs est infinie havia integrado a seleção final do Goncourt. Esse prêmio foi concedido a Philippe Jaenada na terça-feira, 3 de novembro, um dia antes do anúncio da vitória de Haenel.
Até a publicação desta notícia, na manhã de quinta-feira, 5 de novembro, não havia anúncio de tradução brasileira do romance vencedor do Femina.
Trajetória e outros vencedores
Nascido em Rennes, em 1967, Haenel foi professor de francês no ensino médio até 2005. Em 1997, fundou a revista Ligne de risque. Sua trajetória literária inclui os prêmios Décembre e Roger-Nimier por Cercle, de 2007.
Com Jan Karski, de 2009, recebeu o Interallié e o Prêmio do Romance Fnac. Em 2017, conquistou o Médicis por Tiens ferme ta couronne. O Femina de 2026 se soma a essas premiações. A passagem do autor pelo ensino médio antecedeu os reconhecimentos recebidos por esses romances; o tema da docência está no centro do livro premiado nesta edição do Femina, segundo a franceinfo.
No mesmo anúncio, o Femina de romance estrangeiro foi concedido à escritora americana Laura Kasischke por Baignade surveillée. A edição francesa foi publicada pela Gallimard, com tradução de Céline Leroy.
Já o Femina de ensaio ficou com Jennifer Tamas, autora de Barbe Bleue contre-enquête, da editora Seuil. A obra é um estudo sobre o conto do Barba Azul.
A Livres Hebdo registra que o grupo Madrigall, proprietário da Gallimard e da Flammarion, reuniu neste outono os prêmios Médicis, Goncourt, Renaudot e Femina. Na edição de 2025, o Femina havia sido concedido a Nathacha Appanah por La Nuit au cœur.
A semana também teve outro grande prêmio literário, acompanhado pelo Ler Livros na cobertura do Cervantes 2026, concedido a Cristina Fernández Cubas.
Referências
- Livres Hebdo. Yannick Haenel remporte le prix Femina 2026. Disponível em: livreshebdo.fr
- franceinfo. Le prix Femina 2026 est remis à Yannick Haenel pour La solitude des professeurs est infinie. Disponível em: franceinfo.fr
