Mulheres representam 82% dos respondentes do Mapeamento dos Criadores de Conteúdo Literário 2026, e 5% dos participantes afirmam ganhar o suficiente para viver dessa atividade. Os resultados foram apresentados nesta quinta-feira (5/11), em São Paulo, e divulgados pelo PublishNews, parceiro de mídia do estudo. Os percentuais descrevem os participantes da pesquisa e não podem ser projetados estatisticamente para o país.
A pesquisa foi idealizada por Gabriel Mattos, da USP, e Bruna Paiva, da UFRJ, com apoio da Estante Virtual e apoio institucional do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). O Ler Livros noticiou o anúncio da apresentação em 4 de novembro.
O levantamento quantitativo, descritivo e exploratório utilizou um formulário online. A coleta ocorreu de setembro a 6 de outubro de 2026 e recebeu 548 respostas, das quais 543 foram consideradas válidas.
A amostragem foi não probabilística, pelo método de bola de neve: participantes iniciais repassam o questionário a outras pessoas. Os próprios pesquisadores advertem que os resultados retratam os respondentes, sem constituir uma projeção estatística do conjunto de criadores de conteúdo literário do Brasil.
“Sempre que a gente distribui formulário via snowball, há um viés de nossa bolha”, afirmou Gabriel Mattos.
Uma estimativa complementar da PubliTik aponta cerca de 4 mil criadores de conteúdo literário ativos no Instagram, no TikTok e no YouTube nos últimos 90 dias. Esse número é uma estimativa de atividade nas plataformas, distinta do total de respostas válidas do formulário.
Entre os respondentes, a maioria é branca e vive no Sudeste. Cerca de 75% têm graduação ou pós-graduação completa, e 3% têm doutorado completo. A faixa etária com maior participação é a de 26 a 30 anos. Quanto ao tamanho dos perfis, 53% têm até 5 mil seguidores.
Renda, plataformas e preferências
A ausência de monetização foi relatada por 58,9% dos participantes. Outros 30% monetizam o conteúdo literário para complementar outra renda, enquanto 5% dizem obter o suficiente para viver da atividade. A parcela que não pretende ganhar dinheiro com esse conteúdo corresponde a 5,9%.
Entre os que têm renda com a produção de conteúdo, cerca de 59% recebem de R$ 500 a R$ 1 mil por mês. Esse recorte se refere aos participantes que recebem dinheiro pela atividade, e não ao conjunto dos respondentes.
Entre quem detalhou os canais de renda, a publicidade paga, conhecida como publis, aparece em 65,3% das respostas. Os programas de afiliados foram mencionados por 52,6%, e a monetização oferecida pela própria plataforma, por 32,6%.
O Instagram foi indicado como plataforma principal por 63% dos respondentes, seguido pelo TikTok, com 27,3%, e pelo YouTube, com 5,2%.
Sobre inteligência artificial, 60,6% disseram não usar ferramentas de IA na produção de conteúdo. Os pesquisadores, porém, consideram que esse dado pode ser impreciso.
Romance, fantasia, literatura brasileira, romantasia e thriller estão entre os gêneros preferidos dos participantes. A ficção cristã aparece em 5,7% das respostas abertas. Clarice Lispector ficou em primeiro lugar entre as autoras e os autores favoritos.
Os pesquisadores pretendem repetir o levantamento no próximo ano, com maior alcance fora dos grandes centros.
Referências
- PublishNews. Mapeamento destaca domínio de criadoras de conteúdo literário e alto nível de escolaridade. 5/11/2026. Disponível em: publishnews.com.br
- Mapeamento dos Criadores de Conteúdo Literário 2026. Página dos resultados. Disponível em: mapeamentocriadoresliterarios.manus.space
