Carta do editor: o que você pode esperar do Ler Livros

Retrato de Rodrigo Valença
Por Rodrigo Valença - Editor-chefe
6min de leitura
Imagem: Renata Cabral/Ler Livros

Ao abrir uma matéria do Ler Livros, o leitor deve conseguir identificar quem escreve, de onde vem a informação e o que pode fazer se encontrar um erro. É com essa obrigação que começamos a publicar diariamente. A frequência amplia nossa responsabilidade: precisamos oferecer conteúdo útil, apurar o que afirmamos e deixar visíveis os critérios das nossas escolhas. Esta carta apresenta o compromisso que a redação assume com quem chega ao portal.

Na editoria de Notícias, Marina Sales responde pela edição e Tiago Nogueira pela reportagem. Lúcia Aragão cuida da revisão. Helena Monteiro de Sá, Carlos Albuquerque e Beatriz Duarte assinam nossas colunas. A editoria de arte reúne Renata Cabral, Caio Monteiro e Ana Figueiredo. Como editor-chefe, respondo pela linha editorial e pela pauta diária. Os nomes e as funções estão no Expediente. O trabalho tem responsáveis, e o leitor deve saber quem são.

Haverá uma separação clara entre Notícias e Opinião. Na primeira seção, nosso dever é informar com precisão, contexto e atribuição das fontes. Na segunda, autores poderão defender interpretações e posições, identificados como colunistas. Uma opinião precisa sustentar seus argumentos; uma notícia não pode apresentar a preferência da redação como fato. Esta carta, por exemplo, está em Opinião porque expressa escolhas editoriais pelas quais assumimos responsabilidade.

Toda matéria terá um bloco de Referências ao final. Esse espaço deve permitir que o leitor localize as fontes usadas e examine a base do texto. Daremos preferência a instituições educacionais, universidades, bibliotecas, órgãos públicos e documentos originais. A origem institucional, sozinha, não dispensa leitura crítica. Precisamos verificar se a fonte sustenta a afirmação publicada e distinguir o que ela demonstra daquilo que nós interpretamos.

As referências também tornam nossos limites mais claros. Se uma informação não puder ser confirmada, não será apresentada como certeza. Se houver versões divergentes relevantes, elas deverão aparecer com contexto. Não publicaremos boatos para preencher a pauta. Tampouco reescreveremos notícias de outros veículos sem crédito. Quando uma apuração alheia servir de base ao nosso trabalho, sua origem será informada. Acrescentar palavras a um texto não transforma em nossa a reportagem que outro profissional fez.

Erros exigem correção. Quando corrigirmos uma informação publicada, incluiremos uma nota no próprio texto para explicar a mudança. Não basta trocar silenciosamente um dado e esperar que o problema desapareça. Quem leu a versão anterior precisa encontrar o esclarecimento no lugar em que recebeu a informação. A revisão reduz falhas, mas não nos autoriza a prometer infalibilidade. Nosso compromisso é tratar a correção como parte do trabalho editorial.

Usaremos ferramentas de inteligência artificial como apoio, com revisão humana. Elas não serão tratadas como fontes nem substituirão a responsabilidade de quem apura, edita e publica. Uma resposta produzida por ferramenta precisa ser conferida antes de integrar uma matéria. Nas imagens feitas com esse recurso, o crédito informará seu uso. Uma imagem gerada não deve ser apresentada como registro fotográfico de um acontecimento. Cabe à redação decidir o que pode ser aproveitado e responder pelo resultado.

Também não venderemos indicações como se fossem decisões editoriais independentes. O leitor precisa distinguir publicidade de conteúdo escolhido pela redação. Nenhum interesse comercial justifica esconder essa diferença. Ao recomendar uma obra ou um serviço, devemos apresentar razões que possam ser avaliadas, sem prometer uma experiência igual para todos. A confiança depositada em uma indicação não pode virar um espaço de anúncio disfarçado.

Defendemos o acesso legal e gratuito ao livro. Isso inclui divulgar bibliotecas digitais e ajudar o leitor a compreender o domínio público. A Lei nº 9.610/1998 é uma referência necessária para esse trabalho. Não trataremos a presença de um arquivo na internet como prova de autorização para distribuí-lo. Nosso compromisso com o acesso à leitura inclui respeitar os direitos de autores e de outros titulares. Não indicaremos a pirataria como solução.

Esses critérios estão reunidos nos nossos Princípios Editoriais. Sua publicação oferece ao leitor uma base para nos cobrar. Se uma matéria não trouxer fonte suficiente, se uma imagem estiver mal identificada ou se uma correção faltar, escreva para [email protected]. O mesmo endereço recebe sugestões e críticas. Publicar diariamente só terá valor se mantivermos atenção ao que entregamos. A assinatura de um editor deve servir para isto: indicar quem responde quando o leitor pede uma explicação.


Referências

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Retrato de Rodrigo Valença
Editor-chefe
Editor-chefe do Ler Livros. Jornalista com passagem por redações de cultura e por uma editora universitária, responde pela linha editorial e pela pauta diária. Acredita que um portal sobre livros se mede pelo mesmo critério de qualquer jornal: a confiança de quem lê.